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Zibaldone

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26
Abr16

O meu concelho

Francisco Freima

elefante branco.jpgO meu concelho pertence àquilo a que chamo a Nova URSS (União das Repúblicas Socialistas de Setúbal). Na Nova URSS, o pior dos municípios é precisamente o do Seixal. Enquanto em Almada existe uma gestão rigorosa, no Seixal reina o populismo despótico. 

 

Por exemplo, ontem a câmara decidiu inaugurar a ponte pedonal que construiu entre as Paivas e a Arrentela. Até aqui tudo bem, não tivesse a ponte sido paga por uma superfície comercial. Mais preocupante é viver numa das câmaras mais endividadas do país, embora não poupe no fogo-de-artifício, nos concertos com Carminhos e D.A.M.A.S ou no Boletim Municipal, o jornal a cores que pretende ser o Avante! local.

 

Ainda mais preocupante é ver a falta de vergonha de Joaquim Santos, o sujeito que o PCP chamou para cortar a eito na despesa, sem atender às necessidades da população. Nesta Península de Cuba existe muita propaganda a anunciar «Menos IMI, Mais Investimento». Seria de esperar que tivessem finalmente acertado... Seria, porque a realidade é que a câmara baixou o IMI em 0,4% para encher o concelho de outdoors que custaram bem mais do que essa exponencial descida... Pior só mesmo aquilo que a CDU abomina na Assembleia da República, mas pratica no Seixal: as PPP's! É verdade, no meu concelho fizeram-se duas PPP's ruinosas: o edifício dos Serviços Centrais e o edifício dos Serviços Operacionais da câmara. Ao todo, estamos a pagar seis milhões de euros ao ano por essas magníficas obras... Este negócio estranhíssimo cheira a corrupção. Eu sei que as autarquias são sinónimo de corrupção, mas o Seixal capricha: um bom exemplo são as carrinhas da câmara serem utilizadas a bel-prazer pela CGTP. Sim, nós, Seixalenses, financiamos as manifestações de uma central sindical... Outra situação sórdida é a relação com o Grupo Barraqueiro. De trafulhice em trafulhice, a Barraqueiro vai abocanhando os transportes públicos do distrito, cedendo «gentilmente» autocarros e comboios durante a Festa do Avante!

 

A par destes casos, existe a pequena corrupção, aquela que consolida o poder da CDU. Sendo a câmara a maior empregadora no concelho, muitas famílias dependem dela para manterem o seu estatuto socioeconómico. Em todos os municípios isto existe, creio mesmo que os funcionários escolhidos pelo mérito devem ser ultra-minoritários. Aqui, essa regra mantém-se, a cunha impera e pior do que ser apartidário é sermos filiados num partido da oposição. Eu, por exemplo, sei que dificilmente arranjarei trabalho por estas bandas, sobretudo agora que o BE passou a ser o alvo a abater. Um bloquista no Seixal é uma espécie de intocável indiano.

 

Enfim: sigam o meu conselho e não venham para o meu concelho.

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