Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Zibaldone

Zibaldone

19
Ago16

O partido-irmão

Francisco Freima

Portas e josé eduardo dos santos.JPG«Considera Angola uma democracia?» No futuro, esta pergunta será a marca de água para socialistas, sociais-democratas e centristas que teimam em apoiar a ditadura de José Eduardo dos Santos. As mesmas faces congestionadas dos comunistas, quando o assunto é Coreia do Norte, aparecerão nos que têm um dvd na sede, mas precisam de apresentar a versão editada ao grande público. 

 

As declarações de Hélder Amaral pecam por tardias: elas são o corolário da aproximação do CDS ao MPLA nos últimos anos, seja através de Paulo Portas, do voto contra a iniciativa do BE sobre o tratamento dispensado por Luanda aos presos políticos ou a crítica à lei que levanta o sigilo bancário (como sabemos, o refúgio atrás do qual se esconde o dinheiro sujo angolano). 

 

O MPLA tornou-se oficialmente o partido-irmão do CDS em Angola, pois o representante enviado pela direcção centrista ao congresso afirmou que ambos estão muito próximos, passando uma mensagem de união e convergência nos objectivos. A partir de hoje, ficamos a saber que o CDS se revê na ditadura de José Eduardo dos Santos, no nepotismo que permite a Isabel dos Santos acumular cargos milionários enquanto o povo passa fome, nas prisões arbitrárias de dissidentes políticos e na tortura de todos os que são contra o regime. 

 

O CDS, sempre tão lesto a pedir demissões de secretários de Estado e ministros cuja conduta é reprovável, só tem duas soluções para sair menos chamuscado desta história: demitir Hélder Amaral das suas funções, chamando-o imediatamente de volta a Lisboa, ou exigir a demissão da direcção nacional do partido. Até porque Hélder Amaral não é uma figura qualquer: actualmente deputado e vice-presidente da bancada parlamentar dos centristas, é ainda membro da comissão política e da comissão executiva do CDS. Quem detém cargos tão importantes só pode ter a confiança da líder. Para o bem e para o mal, a única forma de demarcação só pode terminar numa ruptura total, sob pena de ficar a suspeita de que Assunção Cristas se afasta porque parece mal dizer em público o que Hélder Amaral disse. Em relação ao conteúdo, até podem estar em sintonia. Uma suspeita dessas equivaleria a dizer que Cristas é uma cobarde, uma líder incapaz de se mostrar solidária para com os seus, abandonando-os à sua sorte no momento inoportuno. Se se demarca por convicção, o repúdio tem de ser total e reflectir-se nos cargos até agora desempenhados por Hélder Amaral, que é como quem diz: Assunção Cristas terá de o pressionar a demitir-se.

 

A própria defesa engendrada por Adolfo Mesquita Nunes, o «estratega político de Cristas», soa a calculismo político: quer dizer, o CDS só decidiu ir ao congresso do MPLA depois de receber o convite dos oposicionistas do CASA-CE. O CDS parece aqueles criminosos que arranjam um álibi antes de cometerem um crime. Como os Portugueses têm memória de peixe, julgo que passarão incólumes. Num país normal, seriam varridos do mapa político.

6 comentários

Comentar post

Antiguidades

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D

Bloguista

foto do autor