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Zibaldone

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01
Jul16

O Rei Ladrão

Francisco Freima

Rei Mswati III.jpegEu sei que o continente africano fica longe e poucos querem saber dele, mas, face à demissão dos órgãos de comunicação social portugueses, vejo-me compelido a escrever textos que misturam informação com opinião (não sou jornalista, logo, não me peçam para ser isento).

 

Hoje, pouso a vista na Suazilândia, após ter lido este comunicado da ACTSA (Action for Southern Africa). Nele, a organização apela à comunidade internacional para pressionar o governo da Suazilândia, liderado pelo rei Mswati III, futuro presidente da Southern African Development Community (SADC). Esta organização tem a seu cargo diversas iniciativas em áreas como os direitos humanos, a erradicação da pobreza, o desenvolvimento económico... ora, como veremos, o rei Mswati III seria uma péssima escolha.

 

Tendo iniciado o seu reinado em 1986, o monarca acumulou desde então uma fortuna avaliada em pelo menos 50 milhões de dólares, utilizando ainda o fundo Tibiyo Taka Ngwane (140 milhões de dólares) em benefício próprio. Além disso, é dono de 60% das terras do país, tendo adquirido muitas delas através de expropriações. Cúmulo dos cúmulos, Mswati III canaliza dinheiro do Orçamento do Estado para a Casa Real – em 2014, foram 61 milhões de dólares. Entretanto, 63% da população vive abaixo do limiar da pobreza (estas informações encontram-se aqui).

 

Era de esperar que o último rei absoluto de África fosse mal visto internacionalmente. Pelo contrário, os seus parceiros africanos preparam-se para lhe dar a presidência da SADC. Dando uma vista de olhos, descobri que um dos principais desafios desta organização é o combate à SIDA... sabem qual é o país do mundo com o maior índice de infecção pelo HIV? A Suazilândia, pois claro:

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Fonte: UNAIDS

 

De realçar ainda que na Suazilândia o maior partido da oposição, o PUDEMO (People’s United Democratic Movement) encontra-se ilegalizado. Este partido, fundado em 1983, pugna por uma democracia pluralista. No dia 1 de Maio de 2014, o seu presidente (Mario Masuku) e o líder da juventude (Maxwell Dlamini) foram presos por gritarem «Viva o PUDEMO» e «abaixo o Tinkhundla» num comício (Tinkhundla é o sistema de governo vigente na Suazilândia). Sendo este reino um enclave na África do Sul, fico perplexo como Mswati consegue manter o seu regime despótico. Por muita força que a tradição tenha, estar rodeado pelas fronteiras da democracia mais avançada de África deveria ser o suficiente para cair. Pelos vistos, não. 

 

Vamos dar todos um empurrãozinho a ver se o trono balança! Basta informarem as pessoas do que se passa para que se crie movimento em torno destas questões. Haverá sempre alguém disposto a fazer a diferença: em cem pessoas, serão dez, em mil, serão cem. Sigamos o exemplo do Beckham 

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