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Zibaldone

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11
Mar17

O renascer da Gâmbia

Francisco Freima

foto de Afolabi Sotunde, Agência Reuters.jpgPoucos países no mundo estão neste momento em condições de rivalizar com a Gâmbia. Podem ter os melhores indicadores económicos, as melhores escolas e os melhores hospitais, que ainda assim não têm o que este povo tem tido nos últimos meses: a esperança num futuro melhor. Por lá vive-se um 25 de Abril, uma atmosfera de liberdade após duas décadas sob a ditadura de Yahya Jammeh.

 

O novo presidente, Adama Barrow, tem contribuído para um autêntico despertar nacional. Desde que chegou ao poder, afastou inúmeros cúmplices de Jammeh, torturadores como Yankuba Badjie, antigo chefe das secretas gambianas, ou David Colley, carcereiro-mor nesses tempos sombrios. Por outro lado, as autoridades começam a fazer o que deviam: na semana passada, foi exumado o corpo de Solo Sandeng, rosto da oposição pacífica ao regime. A 14 de Abril do ano passado, este activista organizou uma manifestação na qual se exigiam reformas políticas. Detido pouco depois, seria assassinado pelos facínoras de Jammeh na prisão. A polícia recuperou agora o seu corpo, enterrado perto de uma aldeia costeira (Tanji).

 

Ao mesmo tempo que se lança luz sobre os crimes do passado, no presente assistimos à política no seu estado puro. As mulheres reivindicam uma maior participação e pedem a intervenção do Governo para que nas próximas eleições, marcadas para o dia 6 de Abril, existam critérios de paridade. A futura Assembleia Nacional agradecerá o contributo delas. Igualmente bela é a concórdia reinante entre os partidos, que assinaram um memorando de entendimento no qual se comprometem a não abusarem do poder que lhes for conferido e a não utilizarem os fundos públicos em proveito próprio. Só o tempo dirá se estas promessas serão cumpridas, mas é um gesto bonito que merece ser assinalado.

 

Como sempre, a imprensa dorme enquanto a Gâmbia escreve a história mais maravilhosa dos últimos anos. A ausência de reportagens sobre o que se vai passando é uma vergonha e um menosprezo pelo futuro desta jovem democracia. A Gâmbia merece a atenção do mundo.

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