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Zibaldone

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04
Ago16

O retrocesso progressista

Francisco Freima

Esta semana, no Toda a Verdade, passou um documentário surpreendente. Intitulado Micro-Ondas - a Ameaça Invisível, debruça-se sobre um tema inquietante: as radiações provocadas pelas micro-ondas dos telemóveis. Quando era miúdo, lembro-me de ler um artigo bastante completo na Revista Quo, tão completo que comecei logo a afastar-me dos telemóveis (o meu é uma espécie de telefone fixo, só atendo quando estou em casa).

 

Agora, ao ver este documentário, não consigo deixar de pensar no dilema que temos pela frente: manter a tecnologia à custa de um aumento no número de mortos e doentes oncológicos, ou abdicar dela até encontrarmos uma solução? Para mim, a resposta é óbvia: abdicar. Todavia, a realidade não se mostra tão linear, sobretudo quando as empresas de telecomunicações vêem o seu negócio ameaçado. Para já, penso que o mais sensato seria criar grupos de controlo, zonas libertas das micro-ondas, para confirmarmos os efeitos nocivos que elas têm no organismo. De outro modo, ficaremos na ignorância, porque ninguém quer afrontar o lóbi das Apple, Huawei, Samsung... alguns considerarão estranho escolhermos o retrocesso. Eu próprio penso assim, porque desde jovem aprendi a acreditar no inexorável progresso da humanidade. Mas fico consolado quando olho para a história e vejo que redescobrimos os clássicos da Grécia Antiga através das traduções dos árabes. Às vezes é preciso dar um passo atrás para darmos dois mais à frente, quem sabe se não será o caso? Seria a primeira vez que o faríamos de forma consciente? Antes assim do que nos refugiarmos em argumentos religiosos para destruir o conhecimento dos nossos antepassados. 

 

Vivemos numa era estranhamente interessante. Nenhuma ameaça surge aos nossos olhos como imediata (até a ameaça nuclear não assume a importância dos tempos da Guerra Fria), elas são invisíveis e estendem-se por largos anos: aquecimento global, terrorismo, micro-ondas, pandemias, sobreexploração de recursos... ainda assim, acreditamos no futuro, porque somos humanos 

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