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Zibaldone

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24
Mai17

O voto do homem branco

Francisco Freima

 

No site da Capazes vem hoje um belo artigo da Suellen Menezes, discípula da Escola do Ressentimento. Nele, como se pode ver na imagem, a autora propõe «a suspensão temporária do poder do voto dos homens brancos», alegando que os «benefícios seriam universais». No meu caso particular, penso que não: sou homem, sou branco e voto regularmente. Não sei que benefício adviria da suspensão dos meus direitos durante 20 anos sem nunca ter cometido um crime nem discriminado ninguém em função do seu género, etnia, religião, clube, etc. Segundo a Suellen, só aos 48, qual bandido depois de cumprir pena, poderia voltar a exercer os meus direitos políticos. O problema é que nem os criminosos são assim tratados... Suponho que durante a pena levar-me-iam para um campo de reeducação, ou ficaria em casa de castigo a ler a obra da Simone Weil. No mundo de Suellen, talvez os brutos que achassem a leitura uma maçada seriam obrigados a ver aquele filme onde o Mel Gibson adquire uma consciência feminina após ser electrocutado por um secador...

 

Quem são estas Capazes? Na sua esmagadora maioria, filhas do regime que alcançaram tudo sem grande esforço. Em certos sectores do BE até são muito bem vistas, mas eu nunca gostei delas. Para mim, Rita Ferro Rodrigues, Iva Domingues, Isabel Moreira ou Rita Marrafa de Carvalho são privilegiadas que adoptam um discurso de vitimização para que tenhamos pena delas. Há quem lhes chame feminazis; eu considero-as femimadas. 

 

Faz sentido falar em feminismo, em desigualdade salarial entre homens e mulheres, em diferenças na forma como uns e outras são tratados. Ainda mais sentido faz agirmos contra essas iniquidades. Curiosamente, nunca vi nenhuma das personagens citadas a colar um cartaz sobre os direitos das mulheres, a distribuir panfletos contra a violência no namoro ou a pintar murais contra a violência doméstica. Nos partidos e fora deles há muita gente assim: fala-baratos que quando é altura das tarefas chatas desaparecem. As Capazes sofrem desse síndrome de vanguarda iluminada, julgam que o mundo lhes deve alguma coisa, quando o oposto está mais de acordo com a realidade. O discurso é tão pobre que se desmonta com evidências práticas, como a deste homem branco que está desempregado sem nunca ter tido as oportunidades que as femimadas tiveram. Em Portugal a desigualdade já não é tanto entre homens e mulheres, mas sim entre classes, porque uma mulher da classe alta vai ter sempre mais oportunidades do que um homem da classe baixa, independentemente das qualificações. O mesmo aplica-se ao caso do homem da classe alta e da mulher da classe baixa.

 

Ainda assim, saúdo a Suellen: geralmente a intolerância vai mais longe. Temo que as suas camaradas ainda a expulsem, porque essa do homem branco não chega. Uma verdadeira femimada circunscreveria a coisa aos homens brancos heterossexuais.

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