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Zibaldone

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28
Fev17

Parabéns, Bloco

Francisco Freima

Bloco de Esquerda.jpgO Bloco de Esquerda completa hoje os seus 18 anos. Fundado a 28 de Fevereiro de 1999, cedo se percebeu que este não seria um partido como os outros. Aliás, para ser rigoroso, o BE não é um partido: é um movimento que congrega diferentes tendências e aderentes de várias sensibilidades políticas. 

 

Falando da minha (pouca) experiência, posso dizer que o que mais me fascina neste movimento é ver, dia após dia, o impossível tornado realidade. À esquerda existe uma tendência quase congénita para a dissidência, mas o BE tem conseguido sobreviver a todos os elementos que vão saindo, pois uma das suas principais virtudes é a de conseguir formar novos quadros num curto espaço de tempo. Onde os outros estão reféns de vetustos barões, no nosso movimento não há espaço para estrelas que se julgam galáxias. A aposta na juventude faz com que ninguém seja insubstituível, estando já a aparecer uma nova geração de políticos que irá marcar a próxima década – Joana Mortágua, Mariana Mortágua, Luís Monteiro, Isabel Pires, Moisés Ferreira, Inês Bom, Catarina Salgueiro Maia, Rafael Boulair, Inês Tavares, João Mineiro, Sara Santos, Carlos Carujo, Amarílis Felizes, Bruno Góis, Francisca Carvalhas... Para sublinhar este feito, basta dizer que o Bloco não tem uma juventude partidária. A política é igual para todos, tenham os militantes 15 ou 105 anos.

 

Nestes 18 anos, o Bloco conseguiu superar a maldição PRD, de que a política estaria condenada a ser praticada por PCP, PS, PSD e CDS, com o episódico surgimento de epifenómenos. Foi assim que olharam para o BE quando apareceu: uma UDP 2.0, destinada a cumprir uma legislatura antes de desaparecer do firmamento político. No entanto, esses primeiros anos mostraram que o Bloco era um partido novo, tanto na forma de fazer política como de ocupar o seu espaço na agenda mediática. Os detractores queixam-se disso, falando em «colinho» da imprensa. A verdade é que um partido com muitos jovens só tinha obrigação de retirar espaço aos demais. Passados 18 anos, o BE continua a ser o único partido português dentro do século XXI. Os mais velhos pararam no tempo e os mais novos, como o PAN, são partidos monolíticos, sem espaço para tendências organizadas. Já o Livre é uma cópia mal amanhada do BE, uma cópia de quem esteve no original e saiu porque pensava que valia mais do que a soma das partes. Fica a pergunta: em três anos de Livre, qual foi o político que este partido revelou? Nenhum. O Livre, desde a sua fundação, tem sido o Projecto Político Pessoal de Rui Tavares. Até agora, este PPP redundou em duas estrondosas derrotas nas europeias e nas legislativas. Nas presidenciais, com o sectarismo dos despeitados, decidiram apoiar Sampaio da Nóvoa em vez de Marisa Matias. E mesmo assim, com um candidato considerado da «primeira divisão», foram incapazes de garantir uma ida à segunda volta...

 

Os 18 anos do Bloco são ainda uma oportunidade para recordar os fundadores. Numa época em que os políticos estão constantemente envolvidos em escândalos de corrupção, ninguém pode pôr em causa a integridade moral de Fernando Rosas, Francisco Louçã, Luís Fazenda e Miguel Portas. Este último, aliás, deixa um exemplo de vida inestimável, tanto para o movimento como para a sociedade em geral.

 

Ultimamente, temos visto um rasto de lama abaixo de Francisco Louçã: são as crónicas de João Marques de Almeida, João Miguel Tavares, Mário Ramires e Pedro Borges de Lemos, que tentam macular a honra de uma pessoa que vive muito acima das suas capacidades intelectuais. Por mim, podem debitar dislates à vontade – gosto deles por isso, por mostrarem quanta asneira cabe na cabeça dos asnos. O Louçã usa gravata e virou «senador» pelo seu mérito como economista? Nada mau: ao menos não usa a calúnia e não é bobo pelas suas falhas como cronista.

 

Parabéns ao Bloco de Esquerda!

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