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Zibaldone

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13
Set16

Pensamentos

Francisco Freima

Charlie Hebdo Amatrice.jpgNão me posso deixar de surpreender todos os dias com a acalmia aparente em que vivemos. Não, não estou a falar do Sr. Diabo, que Passos Coelho aguarda impacientemente no terminal de chegadas da Portela. É mais aquela sensação de quando era miúdo e me deitava na ponta da cama, equilibrando-me o suficiente para não cair. Assim parece estar o mundo, a tactear os seus limites.

 

Na Coreia do Norte temos um louco a testar bombas nucleares, indiferente ao sofrimento do seu povo. Em Seul respira-se fundo e os governantes vão preparando uma resposta a eventuais ataques nucleares. Os EUA, os sempre diabolizados EUA, continuam a garantir a estabilidade naquela zona do globo. Soa estranho alguém do BE ser pró-americano? Nunca percebi o porquê da estranheza. Gosto de nações livres, por isso gosto dos norte-americanos (excepto da CIA). Aquele país representa muito daquilo que deve ser a esquerda: o cruzamento de diversas culturas, a «exportação» da democracia e, por muito polémico que possa parecer, a difusão dos valores «ocidentais». Essa já foi, aliás, uma bandeira da esquerda durante as Guerras Napoleónicas. Aquilo a que comummente chamam valores ocidentais, eu traduzo por valores universais.

 

Lamento, mas o relativismo cultural nunca se entranhou em mim. Compreendo a existência de diferentes culturas, só que não consigo respeitar tradições misóginas e ultrapassadas. Não consigo olhar para uma mulher de burqa sem ter vontade de lhe tirar aquilo, tal como não consigo passar por um cartaz a anunciar uma tourada sem o rasgar. Já agora, as touradas fazem parte da cultura ocidental e eu não as considero dignas de serem preservadas, daí defender que quando falamos em valores ocidentais estamos na realidade a falar em valores universais. Tudo o que é bom, venha de onde vier, deverá ser inscrito nesse código, no respeito pelo imperativo categórico kantiano, o «age de tal maneira que a máxima da tua vontade possa valer igualmente em todo o tempo como princípio de uma legislação universal». 

 

Queria falar das ameaças globais e perdi-me... Voltando à legislação universal, é claro que práticas estúpidas (mutilação genital feminina, casamentos arranjados, perseguição da população albina, lutas de animais) merecem ser erradicadas, por não trazerem nada de bom à sociedade. Depois existem aquelas que ficam numa zona cinzenta, como é o caso das questões relacionadas com a liberdade de expressão. Ainda há pouco tempo, por ocasião do processo movido pela autarquia de Amatrice contra o Charlie Hebdo, fiquei a pensar nisso. Continuo a não ver nada de mal nos cartoons, apenas fico chocado em como existem pessoas capazes de ficarem chocadas com desenhos. Se fossem dirigidos à vítima X ou Y, ainda perceberia, mas uma sátira geral ao acontecimento?

 

Coloquemos também nos valores universais: «Ninguém deverá sentir-se ofendido por desenhos ou outras formas de expressão artística».

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