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Zibaldone

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30
Dez16

Personalidades do Ano

Francisco Freima

Mário Nunes.jpgPortugal Mário Nunes

 

Num mundo onde os verdadeiros heróis escasseiam, Mário Nunes colocou a fasquia alta. Um Heitor dos tempos modernos, morreu a lutar na longínqua Síria contra o Daesh. Tal como o Troiano podia ter virado as costas a Aquiles, o Português podia ter encolhido os ombros ao saber do conflito na Síria. No entanto, sendo um militar, preferiu cumprir o seu dever e deixar a Força Aérea Portuguesa para ir lutar pela democracia noutras paragens. O país, pouco acostumado a exemplos de bravura, tarda em reconhecer o herói. Alguns têm a audácia de lhe chamar «desertor» e muitos companheiros de armas não lhe perdoam o voluntarismo. Sozinho, Mário Nunes pôs a nu a cobardia das Forças Armadas. Exemplo incómodo, é natural que o tentem apagar da História. Tal como estão concebidas, as Forças Armadas são a reforma em idade activa, um sítio onde muitos se dedicam a puxar lustro às relíquias nacionais e aos generais de secretária. Custa perceber um país que condecora porteiras por abrigarem quem foge de um massacre e deixa no esquecimento o jovem que morreu a lutar contra aquilo que fez essas mesmas pessoas fugirem.

 

Descansa Em Paz, Herói 

 

Internacional Adama Barrow

 

Liderou a coligação que derrotou Yahya Jammeh nas eleições da Gâmbia. O seu discurso mobilizador arrastou multidões e impediu que a comissão eleitoral fizesse o mesmo de sempre: declarar a vitória do ditador. Até agora, Jammeh não reconhece a derrota, mas a verdade é que se encontra cada vez mais isolado. Até já se fala em intervenção militar na Gâmbia para retirar a lapa do poder.

 

O agente imobiliário e antigo segurança de uma loja Argos em Londres tornou-se numa figura ímpar. A esperança que transporta é a de todo um continente em busca de líderes carismáticos. Num ano em que a revista Time escolhe Donald Trump como a figura do ano, fazendo os órgãos de comunicação social eco dessa nomeação, Adama Barrow é a antítese do magnata norte-americano: subiu a pulso, ganhou as eleições com um discurso positivo, facto tanto mais surpreendente quando sabemos que durante a campanha inúmeros jornalistas foram presos, jornais foram fechados, reportagens foram censuradas. Contra todas as probabilidades, Adama conseguiu o impossível. Sem dúvida nenhuma, a grande figura internacional de 2017.

Adama Barrow.jpg

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