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Zibaldone

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28
Fev17

Pier Paolo Pasolini VII

Francisco Freima

Quarta-feira, 6 de Março (fim do dia)

 

Não sei que amargura, que fraterna tristeza

nos olhos dos amigos: que terrível luz

de vingança, na luz dos inimigos.

Um deles tem mesmo a pupila

amarelada de ódio, o ódio de quem confunde

as bênçãos e as maldições da vida com as suas,

como um pimento venenoso que o faz delirar.

(omissis) cantará a sua romanza, macabra Callas

clérigofascista, e (omissis) a minha condenação.

Pedro II, Pastor Poeta! Porque só um poeta

poderá saber que tem de morrer!

Amanhã, Nostradamus registará

um dos cem milhões de actos que preparam

a tua coroação, o teu martírio.

 

 Pier Paolo Pasolini, Poemas (trad. Maria Jorge Vilar de Figueiredo), pp. 323-25; Assírio & Alvim

 

Nesta parte, que antecede ainda o veredicto, Pasolini deixa uma imagem deliciosa sobre um dos seus inimigos, cujo ódio o equipara a «um pimento venenoso que o faz delirar.» Pela primeira vez, surgem os omissis, destinados a esconder, de forma um tanto sardónica, a identidade de quem promove a sua condenação. No final, aparece novamente a referência a Pedro II, na qual o poeta investe muito de si. Está dado o primeiro passo para o martírio.

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