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Zibaldone

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12
Ago16

Pirómanos de direita

Francisco Freima

José Gomes Ferreira.jpgMuito se tem falado dos incêndios em Portugal. Confesso que o tema não me desperta grande entusiasmo, talvez por falar demasiado dele no curso de Protecção Civil. No tema dos incêndios, o que me tem interessado é a forma como a direita utiliza a desgraça alheia para fazer política.

 

Neste momento já ninguém sabe o que são o PSD e o CDS. Na questão dos incêndios, os mesmos partidos que foram privatizando as áreas da prevenção e da protecção, aparecem agora na pele de justiceiros. Um destes casos, se bem que patológico, é o de José Gomes Ferreira (JGF). Sempre ávido de protagonismo, o comentador da SIC fez do seu último Negócios da Semana uma tentativa reles de crónica criminal. Como bom pau mandado, zurziu ataques contra os «intelectuais do ar condicionado», aquele mesmíssimo ar que costuma ter quando debita as maiores alarvidades. A parte do programa que mais me agradou foi aquela em que JGF foi apanhado entre dois fogos, ao defender a intervenção do Estado e o desleixo dos proprietários. Ele, supostamente um selvagem ao ar livre, acha que a responsabilidade deve ser assacada ao Estado, o que é curioso, tendo em conta que na sua cartilha o Estado costuma ser o Anticristo. A incoerência de JGF atingiu um tal ponto que passou o programa a diabolizar os proprietários (sobretudo os industriais), mas quando dizia a palavra proprietário, como por magia, acabava a dizer o oposto. Verdadeiramente «abracadabrante»... Também gostei de ver, nessa reunião tribal num estúdio televisivo, a defesa das expropriações de terras abandonadas e a formação de cooperativas! Se o programa tem durado mais um bocado, teria visto JGF fazer a apologia da Reforma Agrária...

 

Espanta-me a desfaçatez destas pessoas, o facto de ganharem a vida a criticarem o Estado enquanto depois, quando há catástrofe, correm para debaixo do seu manto protector. Não percebo, e percebo ainda menos como é que quase ninguém percebe. Sinto vergonha alheia pelas figuras tristes da direita. Ainda há pouco, na questão das viagens do secretário de Estado ao Brasil, atiraram-se ao Bloco de Esquerda, seguros de que este não se iria manifestar contra a permanência de Rocha Andrade no governo. O tiro saiu-lhes pela culatra, como vem sendo habitual. Depois arranjaram a polémica artificial do IMI, manobrando a opinião pública para fazer valer o seu populismo. Foi asqueroso ver Assunção Cristas abusar da boa-fé das pessoas, desinformadas o bastante para aplaudirem o número político. Agora, procurando agravos contra o governo, lembraram-se de uns meios aéreos da Força Aérea que supostamente não teriam sido activados. Já Miguel Albuquerque, o homem do «está tudo bem», passou incólume por entre as cortinas de fumo. 

 

No fundo, os incêndios não passaram de um pretexto para lançar uma campanha mediática contra o governo. E para perceber que a direita quer deixar o país a ferro... e fogo.

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