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Zibaldone

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13
Out16

Prémio Nobel da Música

Francisco Freima

Bob Dylan.jpgA próxima moda serão os Grammy da Literatura e os LTV Awards. Fontes próximas do júri do Prémio Goncourt admitiram hoje a confusão nessa academia: ao que parece, as opiniões dividem-se entre premiar o álbum Skeleton Tree, o Lemonade ou A Moon Shaped Pool. Se uns pensam que Nick Cave tem mais pedigree literário, os outros procuram saber quem chama mais gente: Beyoncé ou Thom Yorke? Os homens inclinam-se para a cantora norte-americana, as mulheres querem conhecer o líder dos Radiohead... Entretanto, a última pessoa sensata abandonou o júri, afirmando que prefere ir almoçar a um McDonald's no dia 3 de Novembro a ter de presidir a uma tertúlia de malucos. 

 

Falando a sério, este Nobel expõe a podridão do mundo moderno. Só não vê quem não quer: o júri preferiu premiar o mediatismo e a popularidade em detrimento da qualidade literária. Enquanto escritor, Bob Dylan tem apenas um livro de prosa poética e uma autobiografia publicadas. O resto são letras de canções, pelas quais já recebeu o justo reconhecimento dos seus pares... porque decidiu então a Academia Sueca entrar nesse terreno movediço? Simples: sede de protagonismo. A projecção mundial que Bob Dylan dá ao prémio é muito superior àquela dada por aqueles que seriam os vencedores legítimos: Adonis, Milan Kundera (uma vergonha ainda não ter sido agraciado), Dubravka Ugresic, Mircea Cartarescu ou o nosso Lobo Antunes. Aliás, num momento em que a Síria vive horas trágicas, a vitória de Adonis satisfaria a componente do politicamente correcto, bastante associada a este prémio. Mas não, o júri decidiu premiar um cantor e assim agradar à plebe. Fecha-se o ciclo, Harold Bloom tinha razão quando declarou que as escolas do ressentimento triunfariam. Em Dylan, celebra-se a vitória da inépcia perante a técnica, da música perante a literatura. O sonho de Platão ganha novo alento, os poetas receberam ordem de expulsão da cidade.

 

Falando ainda mais a sério, espero que a polícia sueca investigue esta atribuição, pois suspeito que os jurados estejam a ser coniventes/usados num esquema de viciação de apostas. A odd 50/1 irá certamente encher os bolsos de alguns apostadores, previamente avisados quanto ao desfecho. Cabe a Bob Dylan ter um gesto de honestidade e declinar o prémio, como uma pessoa que encontrasse uma mala cheia de dinheiro e a entregasse às autoridades competentes. Ou então o mundo está mesmo perdido e quem tem razão é o arquitecto Saraiva...

 

Parabéns à imprensa mundial: conseguiram transformar o mundo numa lixeira, conseguiram baixar a fasquia até ao nível mais rasteirinho. Viva a barbárie!

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