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Zibaldone

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25
Jun16

Racionalizações

Francisco Freima

Hoje, a Kikas faz anos! Espero que o dia dela seja assim:

Decidi partilhar um poema meu. É coisa que não faço há algum tempo, porque não tenho escrito grande coisa e não tenho vontade de reler o que ficou para trás. Ainda assim, abro uma excepção, trazendo um poema escrito em Novembro de 2014. Ontem, numa fanfarronada tipicamente tuga, disse à Kikas que escrevia melhor do que o Fernando Pessoa. Embora seja o melhor poeta do meu prédio, duvido que passe do quarteirão. Intitulei-o de Racionalizações, nome pouco inspirado, mas o único capaz de representar este devaneio melancólico-filosófico:

 

RACIONALIZAÇÕES

 

Existem formas contra as quais lutamos,

Prisioneiros da nossa liberdade,

Queremos dominar mas ignoramos

Os domínios dessa realidade.

 

Ao certo somos sempre duvidando

Do ser criado logo à nascença.

Os defeitos, os vícios, o falhanço

Ambicionam mesmo a ser surpresa…

 

Quem crê que é aquele reduzido

À sentença sumária das acções?

Olhamos (se tivesse acontecido...)

Para o espelho das nossas reflexões.

 

Negamos a essência perante o óbvio

De escolhas destroçadas no passado,

Saímos a vencer o erro lógico

Ao encontro do futuro preparado.

 

Sendo os mesmos, os mesmos erros damos,

Fora de um contexto, a outro semelhante

Queremos mudar… mas nós não mudamos

O constante contraste, o ser errante.

 

Francisco Freima

 

Como já devem ter percebido, este poema fala do contraste entre quem somos e quem gostaríamos de ser, aquela fase depois da adolescência, quando sentimos o primeiro afunilamento do sonho ilimitado que estávamos destinados a cumprir. O fim da adolescência e o princípio da vida adulta dão um vislumbre de quem seremos. Na nossa cabeça, somos promessas adiadas; na realidade, as nossas acções ditam quem somos realmente. Se não tivermos essa consciência individual, torna-se difícil controlar o que é aparente: a passagem do tempo, «o constante contraste» que faz de nós seres errantes pela vida, condenados a repetir os mesmos erros, por negarmos a nossa essência mais profunda.

 

Espero que gostem, beijinhos 

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