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Zibaldone

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15
Jul16

Revolta turca

Francisco Freima

Revolução Jovens Turcos.pngDecorre neste momento uma tentativa de golpe de Estado na Turquia. Ainda não se sabe ao certo quem está por detrás desta operação, mas o certo é que velhos hábitos demoram a morrer. A ginástica golpista turca deixa sempre a Europa em suspenso, pois nunca se sabe o que é que vai sair dali. Convenhamos, pior que Recep Erdogan só um fanático apoiante do Daesh ou um admirador da revolução iraniana. 

 

Correm rumores de que os militares revoltosos estão insatisfeitos com a postura do governo em relação à Síria. Isto tanto pode ser bom (não se revêem nos ataques ao PKK quando o Daesh devia ser o único alvo) ou mau (estão contra o número de refugiados que a Turquia tem acolhido). Optimista por natureza, espero que sejam oficiais imbuídos do espírito que tomou os Jovens Turcos (malgrado o genocídio arménio), antecâmara para o governo nacionalista de Mustafa Kemal no fim da 1ª Guerra Mundial.

 

A verdade é que o ambiente político não é o melhor: Erdogan conseguiu transformar um Estado a caminho da União Europeia num santuário para terroristas e zona de passagem dos jihadistas que pretendem combater no Daesh. Pelo meio, houve o levantamento da imunidade parlamentar dos 139 deputados do HDP (Partido Democrático do Povo), um partido de esquerda que é considerado pró-curdo. As manifestações na praça Taksim também devem ter pesado na decisão dos militares, já que os jovens mostraram que não estão para viver sob a vaga teocracia alinhavada pelo AKP. Quando existem duas velocidades num país, a tendência vai sempre para a vitória dos progressistas. A Anatólia conservadora lembra o Sul confederado dos EUA, a parte ocidental da Turquia, onde pontifica Istambul, a Nova Iorque cosmopolita. 

 

O presidente Erdogan até conseguiu a proeza de esfriar as relações com Israel desde o assassinato de Ahmed Yasin e, posteriormente, do ataque à Flotilha da Liberdade, diminuindo o peso específico da Turquia no contexto do Médio Oriente. O papel de mediação foi substituído por um pan-arabismo requentado, baseado no conservadorismo, quando foi sempre o progresso a dar alento à «rua árabe» (veja-se Nasser). Para isso, nem é preciso o AKP. Um qualquer franchise da Irmandade Muçulmana basta.

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