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Zibaldone

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Dez16

Ruy Belo

Francisco Freima

Ruy Belo.jpgO País não tem sido pródigo em homenagens a Ruy Belo. Valha a verdade, já em vida o poeta era alvo da mesquinhez e da incompreensão dos seus compatriotas. Custa ver como este brilhante ser humano foi completamente desaproveitado, sendo hoje um ilustre desconhecido para a maioria. Quase quarenta anos após a sua morte (morreu em 1978, aos 45 anos), mantém a marca de poeta maldito. Lembro-me das aulas de Português A no 12º ano: estudávamos grandes poetas, como Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner, Teixeira de Pascoaes, Miguel Torga, Mourão-Ferreira, Ramos Rosa... e depois, logo no início, entre Antero, Junqueiro, Pessanha, Nobre e Cesário Verde, tínhamos Bulhão Pato. Não é que desgoste de amêijoas à moda do dito, mas como poeta não chega aos calcanhares de Belo. Se bem me lembro, o próprio Gomes Leal, contemporâneo de Pato, não figurava no programa – outro dos grandes injustiçados da poesia portuguesa. Adiante: normalmente estes exercícios de justiça póstuma estão eivados de subjectividade. No entanto, é estranho que Madrid tenha aberto as portas da universidade a Ruy Belo e Lisboa tenha feito precisamente o contrário. Em Portugal, só pôde leccionar no ensino nocturno da Escola Secundária Ferreira Dias. Quando morreu, nem se deram ao trabalho de rebaptizar a escola, preferindo esperar que outra fosse construída para discretamente atribuírem-lhe o seu nome. Fica em Queluz, terra última do poeta, e é uma escola do 1º ciclo.

 

Efectivamente, o autor de Portugal Sacro-Profano foi sempre uma «ave rara» na terreola. Nos anos 50, estudou Direito em Coimbra, indo depois para Lisboa, onde terminou o curso. A sua biografia anima-se com a entrada na Opus Dei e a partida, em 1956, para Roma. Na Cidade Eterna concluirá, com apenas 25 anos, o doutoramento em Direito Canónico. Regressado a Lisboa, dirige alguns projectos literários e é bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Na década de 60, inicia-se na política e ocupa brevemente o cargo de director-adjunto no Ministério da Educação, participando posteriormente na greve académica de 1962. Em 1969, candidata-se a deputado da Assembleia Nacional pelas listas da Comissão Eleitoral de Unidade Democrática. Abandona a Opus Dei, perde a fé, parte para Madrid em 1971. Fica por lá até 1977, vivendo entre Espanha e Portugal a partir de 1974. Acaba, como vimos, no ensino nocturno da Ferreira Dias. Pelo meio, deixa traduções de grandes escritores franceses e espanhóis.

 

No próximo post sobre Ruy Belo, irei transcrever o seu prefácio à segunda edição de Homem de Palavra(s), que foi também uma resposta à crítica literária. Nele, o poeta também faz luz sobre os seus processos de criação, pelo que é um texto muito interessante.

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