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Zibaldone

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06
Ago16

Surpresas sul-africanas

Francisco Freima

Voanews local elections 2016.jpgO eleitorado sul-africano proporcionou resultados surpreendentes nas eleições municipais. A vitória da DA (Democratic Alliance) em Tshwane e Nelson Mandela Bay confirmou o pior resultado do ANC desde a sua chegada ao poder. Estes municípios contemplam duas das mais importantes cidades do país, a capital Pretória (Tshwane) e Port Elizabeth (na Nelson Mandela Bay). Além disso, a DA teve uma disputa renhida com o ANC (African National Congress) na cidade mais populosa, Joanesburgo. A vitória do ANC ficou-se pelos 44%, insuficiente para assegurar a maioria absoluta.

 

De resto, o equilíbrio foi a nota dominante. Vejamos os principais resultados:

 

Joanesburgo

 

ANC - 44.55%

DA - 38.37%

EFF - 11.09%

 

Nelson Mandela Bay

 

ANC - 40.92%

DA - 46.71%

EFF - 5.12%

 

Tshwane

 

ANC - 41.22%

DA - 43.11%

EFF - 11.70%

 

Total Nacional

 

ANC - 55.65%

DA - 24.56%

EFF - 8.31%

 

Apesar de o ANC manter a maioria absoluta a nível nacional, o crescimento da DA nas principais áreas urbanas ameaça a hegemonia do partido de Jacob Zuma. Os mandatos do presidente sul-africano têm sido pautados pelos escândalos de corrupção, que começam a reflectir-se na popularidade do ANC, sobretudo nas zonas urbanas. A morte de Nelson Mandela também teve a sua influência, deixando o partido e o país órfãos de uma voz respeitada. 

 

Além do abaixamento do ANC e da subida da DA, o outro facto político é a ascensão do EFF (Economic Freedom Fighters) a partido cuja influência não pode ser desprezada. Devido à ausência de maiorias absolutas, em Joanesburgo, Nelson Mandela Bay e Tshwane, o EFF terá uma palavra a dizer na formação dos governos locais. O Economic Freedom Fighters é um partido que em Portugal corresponderia ao Bloco de Esquerda, tendo no marxismo-leninismo e no sankarismo as suas principais influências ideológicas. Será curioso observar a postura do EFF nas negociações que se adivinham: apoiar o ANC (o PS de lá) significa alinhar com o establishment, apoiar a DA (equivalente ao PSD) pode acabar com a hegemonia do ANC, mas à custa de compromissos difíceis. Digamos que é quase impossível juntar um partido que propõe a nacionalização dos principais sectores com outro que defende a diminuição do peso do Estado na economia.

 

Ainda assim, o facto de serem eleições locais pode obviar a maioria dos obstáculos, pois nestes casos o pragmatismo costuma imperar – no nosso país, por exemplo, existe em Loures uma coligação entre a CDU e o PSD.

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