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Zibaldone

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07
Jun17

Fechar Almaraz

Francisco Freima

Manif Madrid 10 de Junho.jpg

Este fim-de-semana volto à estrada, a caminho de mais uma manifestação antinuclear. O ano passado estive em Almaraz e pude confraternizar com os camaradas do outro lado da fronteira, pessoas excepcionais que têm dedicado a sua vida à maior causa ambiental da Península: fechar Almaraz e todas as demais. 

 

Em Madrid, 400 portugueses irão expressar o seu descontentamento pela forma como está em funcionamento uma central nuclear que já expirou o seu tempo de vida há seis anos. Mas, para mim e para todos os ambientalistas, a questão principal nem é essa, porque com ou sem prazo estas centrais representam um perigo desnecessário quando existem outras fontes de energia à disposição dos países. Estranhamente, ainda há pessoas que defendem o nuclear, mesmo após as tragédias de Chernobyl e de Fukushima. Aberrações como a AAEN (Associação dos Ambientalistas a favor da Energia Nuclear) só servem para dividir um movimento com argumentos capciosos. A energia nuclear até podia ser a mais limpa do mundo, que um desastre a tornaria logo num perigo imediato para as populações. Segundo estas pessoas, o risco de um terramoto ou de um maremoto vale bem a pena não ser equacionado, o que interessa é acabar com o efeito estufa de qualquer maneira. Os fins justificam os meios.

 

Este encontro de activistas servirá também para homenagear a companheira Gladys del Estal, assassinada pela Guardia Civil numa manifestação antinuclear em Tudela (Navarra), no dia 3 de Junho de 1979.

13
Jun16

Almaraz

Francisco Freima

A manif de sábado foi fixe. Os portugueses compareceram em grande número, dando um exemplo de luta contra a energia nuclear. Os espanhóis ficaram surpreendidos com a nossa capacidade de mobilização, sobretudo dos partidos. Estiveram em Cáceres o BE, o PEV, o PAN e o MPT, além de outras organizações, como a Quercus ou a Olho Vivo. Do lado espanhol, a Greenpeace compareceu em força, tal como o Podemos, além dos anarco-sindicalistas da CNT e dos ecologistas do MIA. Foi um momento alto de confraternização entre portugueses e espanhóis, a repetir futuramente. 

 

A central nuclear de Almaraz é uma bomba-relógio à nossa porta. As razões estão todas num texto da plataforma Fechar Almaraz, pelo que nem vale a pena explicar o que aí se encontra tão bem fundamentado. No meio disto tudo, achei piada à forma como a direita queixou-se da incoerência da esquerda. Supostamente, aquando do desastre de Chernobyl, os apaniguados da URSS andaram a negar o acidente nuclear. Esta é a típica desculpa de quem não tem argumentos: falando por mim, na altura nem era nascido; depois, o BE não existia, mas, que eu saiba, os partidos que deram origem ao Bloco (UDP, PSR e Política XXI) eram críticos do socialismo real. Por isso, malta da direita, não ponham todos no mesmo saco. Eu sei que gostam de alucinar e dizer que o BE apoia a Venezuela ou o actual Syriza, mas isso são devaneios. Nós pensamos pela nossa cabeça, quando vemos o Tsipras a descambar, é óbvio que não nos revemos mais no seu partido (no qual existem cisões devido à política seguida). A direita considera que isto é incoerência, mas eu pergunto: se alguém renega as políticas que defende em troca de uma mão cheia de nada, somos nós que temos de aceitar e mudarmos também? Não! Cada um faz o seu caminho. Isso é tão absurdo como dizer que o PCP apoiava a deriva dos partidos comunistas ocidentais – o chamado eurocomunismo.

 

Voltando ao tema, na manif existiam inúmeros cartazes/faixas a dizerem «Chernobyl e Fukushima Nunca Mais», logo, quem diz que a esquerda branqueia o sucedido na central nuclear soviética só pode ter má-fé. Claro, o outro argumento é o clássico «há coisas mais importantes»... deve ser o Europeu de futebol, porque a agenda da direita, exceptuando a «Maria da Fonte» a favor dos contratos de associação, prima pelo vazio total.

manif Cáceres.jpg

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