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Zibaldone

Zibaldone

12
Jun17

10 razões para entrar no Bloco

Francisco Freima

Bandeira BE.jpg

Fazendo algum proselitismo político, venho enumerar 10 boas razões para uma pessoa de esquerda entrar no BE. São elas:

 

1. O BE não é um partido, mas sim um movimento que agrega várias tendências e sensibilidades políticas. 

 

2. Ao ser um movimento, ganhas uma perspectiva abrangente sobre vários temas, porque, além da componente política, o BE trabalha com inúmeras organizações que têm experiência no terreno. Ser do Bloco é também aprender a ouvir estas organizações e os mais diversos actores sociais, sem nunca instrumentalizar.

 

3. O BE não tem juventude partidária. Independentemente da idade, todos estão habilitados a discutir política como gente grande.

 

4. No BE não há carreirismo, a maioria dos militantes são idealistas que acreditam na sua capacidade em mudar o mundo.

5. As pessoas são desempoeiradas, facilmente consegues contactar alguém para te esclarecer uma dúvida. Seja sobre economia (Mariana Mortágua), ensino superior (Luís Monteiro), precariedade (Isabel Pires), educação (Joana Mortágua), marxismo (Bruno Góis) ou poesia (podes falar comigo xD), existe uma grande partilha de conhecimentos entre todos.

 

6. Existem vários espaços de socialização. Iniciativas como o Inconformação, o Acampamento da Liberdade ou o Fórum Socialismo permitem-te conhecer militantes de todo o país.

Fórum Socialismo.jpg

7. O trabalho político é equilibrado e ajustado à disponibilidade de cada um. No BE não há controleiros, podes participar nas actividades da forma que quiseres. Se fores um militante activo e aberto a todas as experiências, verás que tão depressa estarás em reuniões a discutir política como na rua a sensibilizar pessoas para a tua causa.

 

8. No BE não existe pensamento único. Essa é considerada a sua maior força e fraqueza. Ainda assim, eu só consigo ver força num movimento que permite o direito de tendência. Todos têm o seu espaço, sejas da corrente maioritária ou de uma minoritária, podes expressar livremente as tuas ideias ou até criar uma nova tendência.

9. O Bloco permite a constituição de núcleos a nível concelhio. Caso queiras aplicar a tua energia numa determinada direcção, podes juntar camaradas e criar um núcleo sobre o teu tema preferido: ambiente, cultura, desporto, economia, habitação, justiça, relações internacionais, saúde...

 

10. O BE é um microcosmos daquilo que deve ser uma sociedade melhor: uma sociedade onde as mulheres têm mais protagonismo, uma sociedade onde ninguém é discriminado e uma sociedade mais virada para o bem comum do que para a luta pelo poder.

01
Mai17

A luta do Observador

Francisco Freima

A direita, na sua ânsia de atacar a esquerda, usa qualquer sofisma para legitimar os seus delírios. O último é o apoio do Bloco de Esquerda a Marine Le Pen, porque esta é de esquerda... no Observador, José Manuel Fernandes ensaiou a tese absurda, comparou propostas e desvalorizou as políticas de «imigração e segurança» – é só a principal questão da actualidade europeia. A esquerda é a favor do acolhimento dos refugiados, a direita é maioritariamente contra. Porquê a principal? Porque são pessoas, não são números económicos. Estão ali, nos campos de refugiados da Grécia e da Turquia, à espera de uma solução para o seu problema. Mas JMF tem razão quando afirma que os extremos tocam-se: o Observador e o Luta Popular são disso exemplo.

 

A mirabolante teoria de que alguém apoia outrem por não apoiar ninguém merece ser estudada e abre um precedente engraçado para a direita no futuro. Fica a pergunta: quando existirem eleições no BE, como a que opôs recentemente as moções de Catarina Martins, de Catarina Príncipe e de João Madeira, será pedido ao CDS que apele ao voto numa delas? Outra: caso um ditador decida concorrer sozinho a eleições, os histéricos do apoio também virão logo oferecer os seus préstimos ao candidato? O BE apoiou Jean-Luc Mélenchon. Não passando à segunda volta, e não estando directamente envolvido nestas eleições, acabou aí a história. Ou pelos vistos não, tamanhas têm sido as críticas! Quem os ouvir pensa que o patrocínio do Bloco é fundamental para que Macron vença no domingo. Há quem chegue ao ponto de evocar a segunda volta das presidenciais de 1986, que opuseram Mário Soares a Freitas do Amaral. Esquecem-se de referir que foi uma eleição renhida (não parece ser o caso desta) e que foi em Portugal. 

 

Colar o BE a Marine Le Pen é um exercício de desonestidade intelectual, bastando referir o postal publicado por mim há uma semana, no qual escrevi que votaria em Macron se fosse francês. Não sei se isso é suficiente para apaziguar José Milhazes, que num artigo infeliz define Francisco Louçã como «guru» do partido e faz da posição dele um dogma. Infelizmente para Milhazes, eu também sou Francisco, também milito no Bloco, mas defendo o voto em Macron (ao que sei, ainda não fui expulso). 

 

Não deixa de ser sintomática a misoginia inerente a ambos os Zés quando escrevem sobre o Bloco. Onde Milhazes define Louçã como «guru», dando a entender que uma mulher não consegue pensar pela sua cabeça, Fernandes descreve-o como «endoutrinador-mor». E termina a dizer que este país «tolera todos os dislates às meninas do Bloco», referindo seguidamente os artigos de Jorge Costa e de Nelson Peralta... das duas, uma: ou JMF pensa que Jorge e Nelson são nomes femininos, ou então tem algum preconceito que o leva a ter de citar pelo menos um homem de cada vez que fala nas mulheres do BE. Já a conversa das «meninas do Bloco» é do mais reles que pode haver, pela conotação da palavra «meninas» e pela forma como tem sido utilizada para objectificar e apoucar o papel das mulheres.

 

Mais uma vez, os extremos tocam-se: o «meninas» de José Manuel Fernandes anda de mãos dadas com o «putedo» de Arnaldo Matos. Ou não fossem as duas faces do mesmo vintém.

21
Abr17

A mentira caiu de Maduro

Francisco Freima

O voto de condenação do Bloco de Esquerda aos recentes acontecimentos na Venezuela é a prova provada de que o movimento nunca alinhou com os delírios de Nicolás Maduro. Para infelicidade da direita, acabou o mito urbano do apoio do BE ao regime venezuelano. A partir de agora, basta remeter para a posição tomada hoje na Assembleia da República. Ou para a de Roberto Almada na Assembleia Legislativa da Madeira. Ou para o artigo de Mariana Mortágua publicado no ano passado... estranhos apoiantes que passam o tempo a condenar aquilo que os outros querem que eles apoiem.

 

Entretanto, nunca é de mais recordar que PCP, PS, PSD e CDS apoiam a ditadura de José Eduardo dos Santos. E que a direita já não tem vergonha de o demonstrar. No caso do CDS, um enviado deles ao congresso do MPLA saiu de lá a dizer que ambos os partidos têm «muitos mais pontos em comum.» 

 

Mas não, estes partidos são o baluarte da democracia em Portugal, nunca fecham os olhos às negociatas angolanas e passam boa parte do tempo a incitar jornalistas para que publiquem tudo o que coloque em xeque as autoridades daquele país. E, como é óbvio, jamais pedem desculpas a criminosos.

28
Mar17

Um partido acossado

Francisco Freima

PCP.jpgFruto do bom trabalho desenvolvido nesta legislatura, o Bloco de Esquerda está hoje em condições de retirar a maioria absoluta à CDU no Seixal. Os comunistas começam a sentir a pressão, só assim se compreende que o próprio Jerónimo de Sousa tenha vindo atacar o BE pela sua forma de fazer oposição na Margem Sul:

 

Quase que não se lhes pode tocar (BE) que ficam logo ofendidos. Mas vir aqui para a Margem Sul dizer que o adversário principal é a CDU, que o que é preciso é retirar maiorias absolutas à CDU, aqui no Seixal ou em Almada, estão a demonstrar que para eles o adversário principal é a CDU. Para eles a direita, o PS, não importa.

 

As declarações do secretário-geral do PCP constituem a prova de que as concelhias bloquistas de Almada e do Seixal têm imprimido uma dinâmica especial à vida autárquica. Desde sessões públicas em diversas freguesias a distribuições de panfletos com as posições políticas adoptadas, o BE começa a ser um partido notado por não fazer campanha apenas na véspera das eleições. Cada vez mais, a maioria absoluta da CDU parece um gigante com pés de barro. O desgaste, inevitável ao fim de 41 anos no poder, reflecte-se nos seus protagonistas: em Fernão Ferro, Carlos Reis nada contra a corrente e no Seixal vemos em Joaquim Santos um mero executor da austeridade aplicada à realidade local. E tudo porque o seu antecessor, Alfredo Monteiro, negociou duas Parcerias Público-Privadas com o Grupo A. Silva & Silva. O PCP nacional diaboliza as PPP, mas fez duas bem ruinosas no Seixal. A população não compreende como pôde um município gastar os seus parcos recursos no arrendamento (!!!) dos Serviços Operacionais e dos Serviços Centrais, ficando com uma dívida monstruosa para pagar. Os edifícios nem sequer pertencem à câmara, pelo que tudo não passará de uma negociata que já chamou a atenção do Tribunal de Contas. Convém referir que o Bloco foi o único partido na Assembleia Municipal a votar contra a PPP dos Serviços Centrais (e a dos Serviços Operacionais só não mereceu igual voto, porque à época não tínhamos representantes nesse órgão).

 

São 41 anos de maioria absoluta, estamos fartos. Estamos fartos do desleixo que vemos todos os dias nas ruas; estamos fartos de ver os recursos do município desviados para as manifs da CGTP e do PCP; estamos fartos de ser o tacho onde caem todos os comunistas do país; estamos fartos da censura à oposição e das fotos cortadas no Boletim Municipal; estamos fartos de ver o Bairro da Jamaica às escuras; estamos fartos do Grupo Barraqueiro.

 

O Seixal devia ser de quem aqui vive, não uma coutada de um partido com muita teoria e pouca prática. O comunismo do PCP na Margem Sul é a perpetuação de uma casta e a sujeição do povo ao pagamento de impostos. Uma maioria absoluta que está presa apenas por 22 658 votos num universo de 134 303 eleitores, não merece ser levada a sério. Nas próximas autárquicas, os Seixalenses não podem dizer que não sabem ou não ouviram falar: ao longo destes anos, o BE passou a mensagem de que o poder absoluto corrompe absolutamente.

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