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Zibaldone

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17
Dez16

Kabilândia

Francisco Freima

Joseph Kabila.jpgNa República Democrática do Congo está a ocorrer um processo semelhante àquele que ditou a derrota de Yahya Jammeh na Gâmbia. A única diferença é mesmo a ausência de eleições num futuro próximo, com a esfarrapada desculpa de que não existem condições para a realização das mesmas. Assim, em vez de criar as supostas condições em falta, Kabila decidiu adiar o escrutínio para 2018.

 

Tal como na Gâmbia, a oposição democrática juntou-se numa coligação, cabendo a Étienne Tshisekedi o papel de Adama Barrow. A atitude governamental também tem pontos de contacto com a situação gambiana: enquanto Jammeh ordenou um bloqueio dos órgãos de informação independentes, Joseph Kabila decretou o bloqueio temporário das redes sociais. A novidade é que, ao invés de ir a eleições como o seu homólogo gambiano, Kabila termina o mandato no domingo sem qualquer problema em continuar indefinidamente no cargo. No entanto, a oposição marcou manifestações em Kinshasa para a próxima segunda-feira. Espera-se o pior, já que o ditador africano tem um histórico de repressão violenta de qualquer tipo de contestação ao regime.

 

Noutra vertente, e quiçá pela proximidade geográfica, a forma de governar de Kabila aproxima-se muito da utilizada por José Eduardo dos Santos. Avessos à liberdade, ambos pretendem perpetuar no poder a sua dinastia. Nas posições-chave encontramos os filhos, os tios, os primos, os sobrinhos... ou seja, uma economia e um poder político totalmente corrupto. Talvez por isso me dê gozo ouvir alguns arautos do Investimento Directo Estrangeiro a afirmarem que os empresários têm medo de investir em Portugal, face à actual «instabilidade política». Ironia das ironias, um país que goza de imensa estabilidade nesse domínio é igualmente malvisto pelos investidores, incapazes de penetrarem numa rede de interesses instalados. 

 

Veremos o que acontece na segunda-feira. Boa sorte a todos os manifestantes, oxalá escapem incólumes à repressão que as forças policiais andam a preparar.

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