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Zibaldone

Zibaldone

30
Jun17

Adeus, pessoal (um adeus pessoal)

Francisco Freima

Este é o meu último post. Depois de dois anos, penso que é a altura certa para encerrar a actividade, pois não gostaria que o Zibaldone morresse lentamente, à míngua de tempo, esse tirano que me chama para outros lados. Até posso dar um cunho sebastiânico à despedida e prometer o regresso numa manhã de nevoeiro...

 

A minha vida mudou radicalmente nos últimos tempos. Como alguns já devem ter notado, esta semana demorei mais a visitar os sítios por onde normalmente passo. A razão é porque arranjei trabalho: entrei para a linha de montagem de uma fábrica que produz componentes automóveis, o meu turno é o de doze horas, das 19:30 às 7:30. Por lá acharam estranho que um tipo como eu aceitasse este trabalho, a formadora ainda teve a infeliz ideia de nos apresentarmos e falarmos, entre outras coisas, das habilitações literárias. Demorei algum tempo a ganhar a confiança dos meus colegas, algo que uma conversa sobre futebol não conseguisse mudar. As prevenções iniciais dissiparam-se, quem trata comigo sabe que sou um deles, que não me envergonho das minhas origens. Sendo de esquerda, até é com orgulho que me junto outra vez ao precariado e àqueles que já aprendi a respeitar. São jovens, a maioria pais e mães que necessitam daquele trabalho para sustentarem as famílias, coisa que aos 28 anos ainda me fascina: eles são mais novos e já têm responsabilidades que eu nunca assumiria numa idade tão precoce.

 

Porquê este trabalho? Além da oportunidade de conciliar a teoria com a prática, turnos de doze horas cansam-me o suficiente para não pensar. Se há quem me acuse de excesso de idealismo, eu acuso a maioria de não ousarem sequer sonhar à medida das suas infinitas possibilidades. Em termos práticos, também preciso de uns quantos salários para transformar o dinheiro em ideais, ou então não preciso e sou mais espantoso do que afirmo.

 

 

Um abraço a todos, gostei muito de vos conhecer

14
Abr17

A época do Zibaldone

Francisco Freima

Liga Record.png

Como hoje é feriado, escrevo um post sobre o desempenho do Zibaldone na Liga Record para descomprimir. A época está a ser atípica, comecei fora dos 20 000 primeiros e fui subindo aos poucos na classificação. Gostava de acabar ainda no top 1 000, mas existem sempre os imponderáveis do futebol – como daquela vez em que coloquei o André Silva e o Nuno começou a deixá-lo no banco nos jogos fora, ou aquela em que pus o Ederson e ele foi expulso...

 

Até agora, os jogadores que me têm dado mais pontos são o Nélson Semedo, o Pizzi e o Bas Dost. Curiosamente, o Diogo Jota leva 105 pontos, mas nunca atino nas jornadas em que o devo colocar, quando o escolho ele salta do banco mas não marca. Do lado dos flops, tive logo no início o Tobias Figueiredo, o Bernard, o André Horta, o Rafa e o Pedro Santos. Nem são maus jogadores, simplesmente lesionaram-se ou foram perdendo espaço nas opções técnicas – o Tobias está muito caceteiro, se não é o rei das expulsões anda lá perto. No mercado de Inverno fiz uma limpeza de balneário e as coisas melhoraram. Depois tenho aqueles oscilantes, tipo Rúben Semedo e Víctor García, que tão depressa não jogam como passam a titulares na jornada seguinte. A melhor compra a meio da época foi o Soares, teve um arranque fulminante no Porto; a pior foi o Pedro Nuno, estava à espera de mais, neste último jogo nem foi titular. Claro que a culpa não é dele, mas sim do ambiente que apanhou no Tondela. Do lado das pechinchas, o Bressan foi a melhor, troquei-o pelo Bernard e quando o Chaves joga em casa costuma pontuar bem.

 

Enfim, não está a ser das melhores temporadas, mas já tive bem piores. Devia existir uma liga privada para os blogues, certamente estaria melhor classificado 

27
Dez16

A «seta» lá de cima

Francisco Freima

Ugaritic Alphabet.pngCom o ano a terminar, decidi escrever esta publicação sobre o símbolo que aparece no cabeçalho no blogue. Algumas pessoas pensam que é apenas uma seta a apontar para o campo de pesquisa. Impõe-se por isso o esclarecimento.

 

O que ali se encontra é a letra Z no alfabeto ugarítico. A partir daqui, fica fácil a explicação: depois de ter escolhido o título do blogue, comecei a pesquisar um Z estilizado que ficasse bonito no blogue. Como não encontrasse nenhum que me agradasse, estendi a procura aos mais diversos tipos de alfabetos. Deparei-me então com o tal Z ugarítico. Além de ter gostado, soube logo que seria a escolha certa quando li que este alfabeto, pertencente a uma extinta língua semítica, tivera a sua origem na cidade perdida de Ugarit (redescoberta em 1928). O que é que tem Ugarit de especial? Fica na Síria, país onde se tem desenrolado uma sangrenta guerra civil. Ficava assegurada a mensagem política.

 

E pronto, era isto. O Z de Zibaldone vem do belíssimo alfabeto ugarítico. 

10
Nov16

Zibalblogue

Francisco Freima

O Zibaldone completa hoje um ano. Apesar de ser pouco tempo, estou orgulhoso daquilo que foi alcançado no espaço de 365 dias. Quando comecei este projecto, baixei propositadamente as expectativas, para que a vontade de escrever não se ressentisse da falta de visibilidade.

 

Analisando o percurso até agora, noto que as duas rubricas musicais mantêm-se desde o início (Surrounding sound; Jazz pour Tess) e que as transcrições do diário de Hermenegildo Capelo satisfazem o desejo de retribuir com algo que não sejam só disparates. Sobre os meus textos, da panóplia de assuntos abordados durante este ano fiquei com uma ideia mais clara para o futuro. Não querendo adiantar pormenores, pressinto que no próximo ano andarei mais próximo da visão original, meio esquecida por entre dias de banalidades.

 

Para ser consequente, antes de sonhar a revolução devo provocar uma no interior de mim mesmo. Não sendo a revolução a forma mas sim o conteúdo, manterei o template, continuarei minimalista. A exuberância criadora deve estar associada à essência e não ao acessório. O resto é comigo.

14
Jun16

Fuga

Francisco Freima

Bem, com o país tomado pela febre do futebol, decidi dar um rumo diferente ao blogue nos próximos tempos. A política também passará para segundo (ou terceiro) plano, não se justifica gastar o meu latim em assuntos que daqui a alguns anos ninguém lembrará. Colégios privados, argoladas governamentais ou espiões de trazer por casa dizem muito pouco sobre quem somos e para onde vamos. Se for para escrever sobre política, o melhor é concentrar-me em África, esse continente tantas vezes deixado na penumbra. 

 

Este realinhamento pretende apenas colocar-me em sarilhos. Sem as muletas do futebol e da política nacional, fica mais difícil improvisar quando as ideias entram em colapso. A ver vamos... uma coisa é certa: tudo o que é de mais, enjoa. A overdose futebolística e a agenda política de curto prazo não me motivam. São lutas corpo-a-corpo às quais devemos entregar-nos, mas sem nunca perdermos de vista que nelas somos parte de um todo.

 

Bom tema: seremos nós reféns dos protagonistas, ou serão eles meros depositários da vontade de um povo? Foi Hitler que levou os alemães ao coração das trevas ou foram eles que o escolheram como guia nessa viagem? 

 

Estou farto de olhar para a árvore: quero subir e ver a floresta!

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