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Zibaldone

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16
Mai16

Tipos de poetas

Francisco Freima

Se atentarmos apenas nos métodos de trabalho, existem dois tipos de poetas: os repentistas e os perfeccionistas. O primeiro era mais comum até ao século XIX, altura em que o perfeccionista ganhou preponderância.

 

O Repentista - O seu estro vive do improviso, geralmente dos desafios lançados em forma de mote. Estes poetas tiveram o seu apogeu no século XVIII, quando os vates iam em romaria até aos conventos. O maior repentista português foi Bocage, que no Botequim das Parras assinava verdadeiras exibições de luxo contra a Nova Arcádia. Costumam ter uma obra onde alternam o muito bom com o muito mau, vendo demasiadas vezes os seus méritos diminuídos pela sua inconsistência.

 

O Perfeccionista - Sempre a escrever, sempre a cortar, sempre a reescrever... quem consultar os rascunhos de um poeta perfeccionista, encontrará um texto «sujo» por contraste à limpeza daquele plasmado num livro. Caricaturando, o perfeccionista demora num verso o que o repentista gasta num poema, daí que a sua obra tenda a ser curta, mas sem grandes oscilações qualitativas. Um bom exemplo deste tipo é Camilo Pessanha.

 

Estas duas famílias dividem-se posteriormente em outros ramos. Assim, em relação aos repentistas temos:

 

O da Vinci - É aquele cuja curiosidade por determinado tema esgota-se rapidamente, passando logo a outro poema. A sua obra costuma ter inúmeros dispersos ou textos fragmentados. Reinaldo Ferreira representa um pouco dessa faceta. 

 

O Espirituoso - Aquele que escreve como fala. A sua verve tem o condão de agarrar os leitores, pois é de convivência fácil e acessível. Como reverso, os críticos que fazem da poesia um exercício hermético e que só ficam contentes quando não percebem nada. Penso que Alexandre O'Neill enquadra-se neste perfil.

 

Quanto aos perfeccionistas, os dois subtipos principais que acabei de inventar (lool) são os seguintes:

 

O Sísifo - A perfeição é uma obsessão, daí que costume empurrar a poesia até aos píncaros dos rigores formais. Quando termina, vê o esforço resvalar novamente, começando tudo outra vez. Isto sem obedecer a grandes teorias, a beleza dos poemas chegam para realizar o seu desejo de ordem. Qualquer parnasiano encaixa nesta descrição.

 

O Grande Arquitecto do Verso - Tudo obedece a um plano previamente estabelecido. Muitas vezes, esse plano entronca numa visão bastante original e elaborada acerca do tema. A Mensagem, de Fernando Pessoa, ilustra essa forma de trabalhar.

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