Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Zibaldone

Zibaldone

24
Out16

Transparência

Francisco Freima

A notícia do blogger que adulava José Sócrates por uns módicos 3550 € ao mês é o retrato fiel da república. Está lá tudo: o homem que comenta política sem fazer uma declaração de interesses, o homem que se acoberta no anonimato para tecer as suas considerações, o homem que é amigo do poder e que tem as costas quentes, o homem que consegue um tacho para o filho pelos serviços prestados. Chamar homem a uma pessoa destas é, obviamente, um exagero. No Câmara Corporativa tínhamos um Miguel Abrantes (António Peixoto para o mecenas) a manipular os leitores através da sua pretensa opinião.

 

À minha modesta escala, quando iniciei o Zibaldone senti necessidade de escrever uma declaração de interesses no perfil. Não tendo muito a declarar, tinha a filiação partidária (aderente do Bloco de Esquerda) e clubística (sócio do Amora). Se a parte desportiva não é delicada, a parte política constitui um obstáculo. Desde logo, em relação ao número de leitores: estou ciente de que ao indicar a militância no BE afasto pessoas que de outro modo poderiam visitar, ler e aprovar alguns dos meus textos. Mas, entre virem ao engano ou lerem com cautela a opinião de alguém comprometido, prefiro a segunda hipótese. Se há coisa que detesto quando visito blogues políticos é ver os exercícios a que alguns se entregam, procurando mil subterfúgios para nos passarem um atestado de estupidez. A léguas topo um CDS, um PSD ou um PS, nem sei porque se dão ao trabalho de esconderem aquilo que são. Ou melhor, até sei: sob a capa da «independência» tentam dirigir os leitores em função dos seus interesses inconfessáveis. Às vezes dão uma no cravo e outra na ferradura, tentando mistificar e deixar-nos a pensar se são deste ou daquele partido. Mesmo pessoas que não são militantes e dedicam-se a escrever sobre política deviam dar uma indicação qualquer acerca das suas simpatias partidárias ou ideológicas. Porque, se o voto é secreto, a opinião veiculada num blogue não é.

 

Além da perda de leitores, existe sempre o risco da linearidade, de talharem a imagem unidimensional de alguém que encarna todas as lutas do seu partido. E embora tenha muito orgulho de pertencer ao BE, existem divergências em certas matérias, divergências que todos temos quando militamos num partido composto por várias tendências. Aliás, mais do que um partido, o Bloco é uma federação de partidos, um movimento com raízes que vão da Política XXI à UDP, passando pelo PSR. Nele convivem socialistas, trotskistas, comunistas renovadores, mas também monárquicos progressistas, sociais-democratas e democratas-cristãos. Esta plêiade contribui para a liberdade que se vive por lá, apesar do sectarismo de alguns que tentam uniformizar a diferença. A nossa força e a nossa fraqueza é a heterogeneidade, daí sermos bastas vezes fustigados pela dissidência de tendências minoritárias, que procuram impor as suas ideias à maioria em vez de lutarem pela mudança na correlação de forças.

 

Voltando ao caso António Peixoto, é uma vergonha que o filho seja assessor de Fernando Medina após o papel de farsante desempenhado pelo pai. Espero que o visado retire as devidas ilações e que António Mega Peixoto coloque o lugar à disposição.

13 comentários

Comentar post

Antiguidades

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D

Bloguista

foto do autor