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Zibaldone

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29
Mar17

Uma nova Europa

Francisco Freima

Lisbon Vladivostok.PNGPara alguns críticos, o Bloco de Esquerda é um movimento anti-europeísta. Quem por lá anda sabe que o BE a dormir é mais a favor da Europa do que todos os partidos acordados. Mesmo em relação à União Europeia não existe consenso sobre o que fazer. Se uns pensam que a União é irreformável, outros ainda acreditam na possibilidade de a mudar por dentro. Comum à maioria é a necessidade da refundação do projecto europeu em moldes diferentes. Não existindo um posicionamento claro sobre a permanência ou não na UE, ninguém pode afirmar taxativamente que o BE defende isto ou aquilo. Quando muito, existem posições de órgãos como a Mesa Nacional, que em termos hierárquicos fica abaixo da Convenção. Isto pode fazer confusão a quem não milita no Bloco, mas é mesmo assim. 

 

Escrevendo a título pessoal, posso afirmar que sou dos que defendem a refundação da UE em bases completamente distintas. Desde logo com a implementação do sistema «um país, um voto». Depois, com a adopção de um modelo confederal limitado a certos sectores. A integração de outras áreas de intervenção, ou o aprofundamento da integração política e económica terão de ser objecto de referendo obrigatório, não podem ser iniciativas feitas ao arrepio da vontade popular. Aqui, a táctica dos referendos sucessivos até à vitória do «sim» não pode ser a norma. No mínimo, terão de passar 20 anos até à realização de um novo referendo sobre o mesmo assunto. A história da Europa a várias velocidades também não pode ter lugar no futuro: ou andamos todos ao mesmo ritmo, ou acabamos com um pelotão da frente a guiar os retardatários para o abismo. Também sou contra uma Europa dos fundos comunitários: dizem que esse dinheiro ajudou diversos países, incluindo Portugal... para mim, foi uma maneira engenhosa da Europa do Norte acicatar a corrupção no Sul. Os países devem contar somente com os seus recursos, senão criam uma cultura de dependência em relação aos subsídios. À conta de irmos pelos atalhos dos fundos estruturais, não fomos suficientemente lestos na defesa das nossas indústrias. Assinámos tudo de cruz. A cooperação tem de passar pelo apoio técnico, pelo empréstimo de equipamentos e pela formação de quadros que permitam a um país desenvolver-se por si mesmo.

 

Seria igualmente desejável que os países da Europa abandonassem a OTAN. Se queremos ser uma potência mundial, não podemos ficar dependentes dos caprichos norte-americanos. Se pretendemos alianças militares, juntemo-nos à Rússia. Isso é o que faz sentido: a Rússia faz parte da Europa; os EUA, não. Neste ponto, também critico as propostas que versam a criação das Forças Armadas Europeias. Os exércitos das uniões acabam sempre a virar-se contra os próprios estados, seja nos EUA (Guerra Civil Americana), na URSS (Primavera de Praga) ou na Jugoslávia (Guerra dos Balcãs). Desconfio que no futuro, se um país não aplicar uma qualquer norma exigida pela Comissão Europeia, será enviada uma legião para impor a pax no território rebelde... nessa altura, um «Brexit» resultará num banho de sangue.

 

Por último, a Europa tem de ser um projecto inclusivo, aberto ao contributo de todos os países. Os apoiantes da União Europeia deviam dizer à Croácia que unir não é impedir a adesão da Sérvia. Isso é simplesmente a Desunião Europeia que levou à saída do Reino Unido, e que antagonizou a Turquia ao ponto de esta preferir uma deriva totalitária a alinhar com os protectores do Sr. Orbán. Ah, a coerência...

2 comentários

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    Francisco Freima 29.03.2017 14:18

    A UE neste momento parece irreformável, a saída do Reino Unido foi um golpe muito forte para a credibilidade do projecto europeu.

    Obrigado, fashion, beijinhos
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