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Zibaldone

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27
Jun16

X Convenção

Francisco Freima

Foto de Tiago Petinga Agência Lusa.jpgPrometi fazer um parêntesis às minhas «férias» da política nacional para escrever sobre a X Convenção do Bloco de Esquerda. Tendo sido a primeira em que participei, foi uma honra ter sido convidado para integrar a lista da moção A, pela qual fui eleito delegado.

 

Como muitos já devem saber, a moção A saiu vencedora com 444 votos, contra 58 na R e 32 na moção B. Para quem tiver interesse em saber mais, fica a ligação. Sobre o debate, não há muito a dizer: os subscritores das moções B e R apresentaram a sua visão pessimista sobre o futuro do partido, enquanto os da A focaram-se mais na definição que deve ser dada às políticas sectoriais do partido (agricultura, ambiente, ciência, cultura, direitos humanos, educação, relações internacionais, saúde...). Confesso que, sendo subscritor da moção A, tinha mais curiosidade em ouvir os meus colegas da B e da R. Estes centraram as intervenções na orgânica/transparência do partido, sendo contra a concentração do poder num secretariado, a falta de informação dada pela Mesa Nacional aos militantes de base e os votos por correspondência nas eleições para delegados. Os defensores da moção A, em resposta a estas críticas, falaram que o secretariado representava um regresso à normalidade, depois da liderança paritária e da comissão permanente. Sobre a falta de informação, as posições divergiram, porque a A considera que presta as informações necessárias, enquanto os da B e da R exigem um conhecimento mais detalhado do que vai sucedendo nos órgãos nacionais. Nos votos por correspondência, as alegações de caciquismo vindas da moção B foram rebatidas com as alterações introduzidas ao sistema de voto por correspondência, em que os aderentes recebem uma carta e um código para validarem o seu voto através de sms.

 

Perante isto, estou em condições de afirmar que o que separa as três moções baseia-se mais na forma e menos na substância. Todos defendemos um BE mais plural, mas existiam propostas simplesmente impraticáveis – lembro-me de uma, da moção R, cuja intenção era a de acabar com o sistema de delegados, abrindo a Convenção a todos os militantes... até poderia resultar para as votações em urna, mas seria impraticável na ordem de trabalhos. O BE tem hoje mais de 12 000 aderentes. Se com cerca de 600 delegados só 81 podem intervir, imaginem os limites de tempo e de inscrições com 12 000 a poderem usar da palavra! Outro dos motivos foi explicado pelo Fabian Figueiredo na sua intervenção: podendo todos votar, a desigualdade aumenta. Distritos como Lisboa ou Porto, que concentram o maior número de militantes, acabariam por dominar as votações.

 

Na «frente externa», as moções B e R questionam a estratégia para as autárquicas. Enquanto a moção A aceita coligar-se no pós-eleições, as outras pretendem analisar possíveis acordos pré-eleitorais com o PCP e o PS. O problema é que, além destes partidos estarem pouco interessados, ficaríamos sem conhecer a nossa força. Nós preferimos arriscar um mau resultado a «ir por atalhos», como sublinhou a Catarina Martins. Já que falei nela, penso que os seus discursos foram equilibrados e deturpados, como sempre. Eu estava lá e não a ouvi dizer que o Bloco quer referendar a saída da UE. Caso existam sanções, o BE vai pedir um referendo sobre a aplicação do Tratado Orçamental. De resto, no discurso de abertura surgiu uma novidade pouco destacada: o fim das apresentações quinzenais dos desempregados nos centros de emprego. Nem vale a pena gastar muito tempo a dizer o óbvio, que esta medida peca por tardia...

 

No final da Convenção, dirigiram-se agradecimentos aos partidos/organizações presentes. Não gostei nada que a delegação do Syriza fosse vaiada, assim como a da UGT. Por outro lado, espero que os delegados que apuparam gregos e sindicalistas sofram um dia igual sorte. É fácil quando somos seiscentos contra um/dois, mas adorava ver esses «heróis» num futuro congresso do Syriza ou da UGT... devemos receber bem todos em nossa casa, porque amanhã poderemos ser nós os visitantes. Ainda há poucas semanas, a Sandra Cunha esteve em França, no Congresso do PCF, onde foi bem acolhida. Neste fim-de-semana, tivemos a honra de pagar aos comunistas franceses com a nossa hospitalidade. No oposto, a ovação de pé ao Bloco Democrático Angola e aos presos políticos, foi um grande momento.

 

Adorei ver a Ana Drago, é das pessoas que mais admiro, apesar de não nos termos cruzado (ela saiu do BE em Julho de 2014, eu entrei em Março de 2015).

 

E pronto, foi isto.

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